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Domingo

As noites de domingo são quase sempre difíceis. Quase sempre não. Que exagero. Mas essa, particularmente, tá se amostrando na dificuldade. Talvez seja a falta de café. Li uma vez que cortar o café pode deixar a pessoa meio maluca. Talvez seja acúmulo. De pensamento, de sentimento e de ressentimento também. Uma ida pro hospital, uma foto que não queria ter visto, a carta de Lula, uma promessa que não deveria ter sido feita, uma música no repeat. Acho que é a falta de café, só pode. Esse fim de domingo colocou tudo nas minhas mãos. Os erros e aquela certeza de que um passo a menos naquele segundo antes de dobrar a esquina teria feito tudo diferente. Mas o que seria então? Será realmente que deveria ser diferente? É realmente difícil olhar pro que não foi. Marte entrou em gêmeos. Lá vem Priscilla com esse papo de signo. Eu queria trocar de signo por um mês. Talvez minhas noites de domingo fossem menos difíceis se eu fosse virginiana. Um dia me disseram isso. Não lembro quem. Eu devia ter bebido menos aquele dia. Eu preciso tomar café. Esse domingo foi bonito. Eu gosto das tardes de domingo. Das noites não. Talvez com café, talvez com você, quase sempre. Quase sempre não. Que exagero, mas hoje podia.